Equipes de unidades da SAS superam desafios e promovem inclusão de servidores com deficiência

Equipes de unidades da SAS superam desafios e promovem inclusão de servidores com deficiência
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Promover a inclusão social por meio da igualdade e valorização é reconhecer que cada indivíduo tem suas próprias necessidades, habilidades e limitações. Pensando nisso, a Prefeitura Municipal de Campo Grande, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), tem implantado políticas e práticas que valorizam os servidores com deficiência.

Com base nessa política de inclusão e nas capacitações e oficinas que participam durante o ano, coordenadores e equipe técnica das unidades vêm atuando para criar um espaço de trabalho cada vez mais inclusivo, o que beneficia também o usuário da Rede, uma vez que os servidores com deficiência podem interagir e compreender as demandas de forma plena.

Exemplo claro é a servidora Leseliê Rodrigues de Oliveira, 35 anos, casada e mãe de duas filhas. Leseliê é surda e está lotada no Centro de Convivência Itamaracá há mais de um ano, atuando em sua primeira experiencia no serviço público. Segundo a coordenadora da unidade, Fernanda Bazanela, receber uma servidora com surdez foi um grande desafio, e despertou nos servidores do Centro de Convivência, o interesse em aprender Libras, facilitando a comunicação interna com a educadora.

“A Leseliê despertou em nós o desejo de aprimorar os nossos conhecimentos e ter uma comunicação fluente através do curso de Libras e isso foi incrível. Nosso objetivo é garantir que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades na sociedade, independentemente de sua origem, condição social ou habilidades, por isso, o nosso convívio é de forma leve e natural”, disse a coordenadora que já participou do curso de Libras oferecido pela Prefeitura.

Fernanda disse ainda, que desde o primeiro momento que Leseliê iniciou na unidade, foi firmada uma parceira com a Secretaria dos Direitos Humanos (SDHU), onde a educadora recebe atendimento terapêutico com profissionais capacitados. Além disso, há cada quinze dias uma intérprete vai até a unidade para aprimorar a comunicação interna entre os servidores.

Para isso, são necessárias políticas e práticas que busquem eliminar as barreiras que impedem a participação plena das pessoas na sociedade, por isso, entre as oficinas e capacitações oferecidas pela escola do SUAS de forma contínua aos servidores da SAS, está a de Língua Brasileira de Sinais, tem tanto o objetivo de facilitar a comunicação com os usuários que buscam serviços oferecidos nas unidades da Rede, quanto com os próprios servidores que têm alguma deficiência auditiva.

Para a intérprete de libras Christiane Condi, que atua na Secretaria dos Direitos Humanos, é de suma importância para a pessoa surda ter um local adequado para trabalhar.

“Nós temos vários surdos na prefeitura, e oferecer essa acessibilidade é a verdadeira inclusão, principalmente o lado comunicacional. Nossa parceria com o centro de convivência é importantíssima, nós facilitamos a comunicação quebrando as barreiras linguísticas, para que profissional surdo se sinta acolhido e incluído no ambiente de trabalho, exatamente como aconteceu com a Leseliê”, pontuou Christiane.

União e conhecimento

No Cras Vila Gaúcha, o desafio foi ainda maior, mas toda a equipe se uniu para auxiliar o servidor Rogério Escobar, que é cego. Por isso, é necessário um cuidado especial com o local, mobiliário, mapeamento mental do ambiente, além da confiança na equipe.

Com dedicação e persistência, Rogério está escrevendo a sua história de superação, alcançando espaço na sociedade e no mercado de trabalho. Formado em História, atualmente cursa Serviço Social em uma universidade da capital. Ele ingressou no serviço público em 2017, pelo Proinc, e logo em seguida prestou processo seletivo para Auxiliar Administrativo e Financeiro e foi contratado. Devido a mobilidade limitada, hoje ele é estagiário no próprio Cras Vila Gaúcha.

Um passo importante na inclusão da pessoa com deficiência visual na Rede de Assistência Social foi o recebimento de um computador com acessibilidade para acessar os serviços da unidade, priorizando a produtividade junto à equipe de trabalho. Com esse equipamento, o servidor tem maior autonomia para desenvolver as atividades diárias, além disso, também foi fornecida a cartilha do SUAS em braile, produzida pelo Ministério da Cidadania.

Segundo a coordenadora do Cras, Léia Guimarães, quando Rogério chegou na unidade tanto ele quanto a equipe sentiram dificuldade em lidar com os desafios diários do trabalho, mas Léia enfatiza que hoje o servidor consegue produzir suas tarefas de forma produtiva e com excelência dentro do contexto inclusivo que a unidade se moldou.

“Ver a inclusão e a evolução do nosso colaborador através do esforço e dedicação de todos os envolvidos do Cras Vila Gaúca é gratificante, com certeza o sentimento é de gratidão. O Rogério se sente pertencente à equipe, ele produz e traz resultados. Temos lutado diariamente para de fato proporcionar uma inclusão verdadeira, avançamos e pertentemos avançar sempre mais.

Léia ressaltou ainda que o servidor está se apropriando na política de Assistência Social e demonstrando autonomia no ambiente de trabalho. “Ver ele alegre, confiando nos colegas, saindo para ações e fazendo tudo o que se pode fazer dentro de suas limitações visuais, tem sido um grande aprendizado para todos nós”, concluiu a coordenadora.

Tecnologia e inclusão

Incluir a tecnologia assistiva é promover a inclusão no ambiente de trabalho, conforme aLei Brasileira de Inclusão 13.146 de julho de 2015, (tecnologia assistiva é definida como produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que tenham como objetivo promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social).

E para facilitar ainda mais seu trabalho, Rogério ganhou um presente especial, doado pela psicóloga e supervisora de estágio, Ana Paula Lima. Um material em braile com prancheta, reglete e punção, com o guia de assinatura, que tem a finalidade de melhorar a produtividade no trabalho, um exemplo de união entre os servidores. Segundo Ana Paula, a experiência de trabalhar com Rogério tem sido um grande aprendizado.

“Não tenho palavras para descrever como me sinto sobre ser supervisora de campo do Rogério. Estamos em processo de aprendizado, eu aprendo com ele e ele comigo. Isso só está sendo possível porque somos uma equipe que acreditamos uns nos outros e nos doamos para realizar cada objetivo”, ponderou a psicóloga.

De acordo com Rogério, receber o carinho, apoio e a valorização profissional de toda equipe faz com que ele se sinta acolhido e seguro para atender ao público e trilhar seus objetivos.

“Realmente me sinto incluído e sei que faço parte de uma equipe que não tem medido esforços para avançar”, ressaltouRogério. Prova disso foi a palestra organizada pela coordenação do Cras, que teve como tema a inclusão da pessoa com deficiência visual no serviço público, ministrada pelo professor Cido Costa, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e teve o objetivo de orientar os profissionais sobre como incluir e facilitar o trabalho da pessoa cega no ambiente de trabalho, além de desmistificar tabus.

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