Cras Canguru realiza oficinas e palestras para valorização da cultura negra

Cras Canguru realiza oficinas e palestras para valorização da cultura negra
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Com o objetivo de levar à reflexão a luta contra o racismo e o impacto da discriminação racial no cotidiano da mulher negra, a equipe do Cras Canguru está realizando, durante o mês de julho, uma série de palestras e oficinas de capacitação que buscam o empoderamento e a valorização da cultura negra. A ação foi elaborada para marcar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho e é voltada para o público feminino atendido pelo Programa de Atenção Integral à Família (PAIF), que oferta ações socioassistenciais de prestação continuada, por meio do trabalho social com famílias em situação de vulnerabilidade social.

De acordo com a coordenadora da unidade, Marcia da Silva, o Programa é desenvolvido em todos os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e preconiza a realização de diversas atividades como reuniões, campanhas, atendimentos domiciliares e eventos comunitários.

Para reforçar a importância da data, a equipe batizou a ação de “Julho das Pretas”, assim como ocorre em outros locais do País e desde o início do mês vem trabalhando de maneira coletiva com as famílias que possuem integrantes mulheres negras, em especial chefiadas por elas.

“A proposta é orientar as famílias sobre a importância da luta antirracista e feminista e suas principais expoentes, para o empoderamento das mulheres negras na sociedade, além de oportunizar um espaço onde as participantes possam obter mais informações sobre a cultura afro, resgatando a valorização da estética da mulher negra”, afirmou Marcia.

Ainda segundo a coordenadora, as ações ganham uma relevância maior, já que 70% dos usuários que frequentam o Cras Canguru são negros.

Reflexões e história

Por meio de palestras, as participantes debatem o tema, refletem, trocam experiências e relatos pessoais sobre preconceito, visando as estratégias de combate ao racismo e sexismo. Na abertura das atividades, a palestra inicial teve como foco uma contextualização histórica do tema, apresentação de vídeo sobre a escravidão no Brasil e a história de Tereza de Benguela, também conhecida como “Rainha Tereza”, líder do Quilombo do Quariterê, ela comandou a maior comunidade de libertação de negros e indígenas da capitania (atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia), coordenando a estrutura administrativa, econômica e política da comunidade, além de proteger e lutar pela vida de pelo menos 100 pessoas, durante um período de 20 anos, por isso ela é considerada tão importante quanto Zumbi dos Palmares.

Já nesta sexta-feira (14), as usuárias se reuniram para participar de uma palestra sobre a importância da representatividade da mulher negra, ministrada pela militante e educadora social, Romilda Pizzani e pela coordenadora de Promoção de Política da Igualdade Racial da SDHU, Rosana Anunciação.

Foi apresentado um estande sobre a cultura negra, que abordou desde a religião, até a música, culinária e arte. Logo após, as participantes discutiram os aspectos positivos e negativos da oficina, debatendo como o evento impactou no contexto social em que estão inseridas.

Além das palestras, a equipe da unidade também organizou oficinas de produção de bonecas Abayomi, que no idioma africano significa “Encontro Precioso” e são feitas a partir de retalhos, tecidos, nós e tranças. As bonecas eram produzidas pelas mães que viajavam com os filhos nos navios negreiros, que traziam os escravos para o Brasil. Era uma forma de acalentar as crianças durante a viagem.

Também esta semana foi realizada uma oficina de tranças étnicas. As duas oficinas tiveram como proposta resgatar a estética afro, mas também ofereceram uma oportunidade de geração de renda, já que as usuárias aprenderam a confeccionar as bonecas e a criar os penteados com as tranças.

Frequentadora do Cras, Enilza Aparecida dos Santos está marcando presença em toda programação e diz que as palestras tiveram um significado especial em sua vida. “Como mulher preta, está sendo maravilhoso participar das oficinas porque já passei por muitas situações de racismo. Somos muito discriminadas e às vezes guardamos esses sentimentos e através das oficinas pude expor minha dor e as frustrações que eu escondia em uma caixinha. Gostaria que mais mulheres participassem dessas atividades porque aprendi mais sobre mim e a lutar pelos meus direitos”, destacou.

Origem

O Julho das Pretas é um movimento que garante um espaço de luta e fala para as mulheres pretas na sociedade brasileira. As atividades resgatam as participações sociais e históricas destas mulheres, de forma a terem contribuído para o cenário político, acadêmico, cultural, entre outros.

Já o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, remete ao marco internacional de luta e resistência no enfrentamento ao racismo vivenciados por esta parte da população. A data foi instituída no Primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas em Santo Domingo, em 1991.

No Brasil, em 2014, o Governo Federal sancionou a Lei 12.987, que definiu na mesma data o Dia Internacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

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